É a pique!

Foi a pique.

aviões

Convidaram-me para ir numa avioneta desafiar os limites: fazer acrobacias, dar saltos, ver o mundo ao contrário, de lado, de cima, ficar com miaufa, voar, perder a noção de tempo, rir de nervos e de delírio, deitar as emoções cá para fora – ou seja um convite ao meu mais intimo – um convite a viver comigo no presente. E que presente, sem espaço nem tempo.  Não havia tempo, literalmente porque o perdi, para qualquer espécie de pensamento, futuro ou passado. Tudo só sensações e emoções. Só beleza e mundo.

Tanto mar e tanto céu, tanto ainda para viver. O mar a pique lá em baixo. Ou seria lá em cima? O mar em cima do céu. A razia ao veleiro na Boca do Inferno. O outro lado da Marginal. Como são bonitos os azuis da nossa costa. Até a Quinta da Marinha me pareceu bonita. Vista de cima. Olhada de lado.

O corpo sem norte. Nem chão. Sem morte. Nem avião.

Coração sem travão. Tensão arterial. Fluxo sanguíneo. Pressão. Gravidade. Fluidos, líquidos corporais. Estômago. A cebola da salada de alface. Tudo e isto e muito mais. Não foi só uma viagem de avioneta, foi também uma viagem ao interior do corpo. Agora já sei como é vomitar de pernas para o ar, perpendicular ao mar, tendo como banda sonora as coordenadas ruidosas da torre de controle. Não é que quisesse saber, mas lá que é muito à frente, lá isso é. É trendy!

Obrigada Mário Rui Castro, pelo convite. Por esta experiência tão lá nos céus.

No final falei com a Saskia Loja, que vai publicar na Epicur (Junho). As fotos, o Helberto Smith preferiu saca-las antes, não viesse eu com má cara. Cheguei com o estômago nas orelhas mas os lábios abriram-me num sorriso.

Se tiver dito algum disparate ou exagero, posso sempre alegar que estava mareada com a ondulação.

epicur-3

Sobre Sandra Barata Belo

Nasci em Lisboa no final da década de 70. Cresci em Alfama e nas férias, que não são grandes, vou sempre para o Alentejo. Sou filha única, aprendi a brincar sozinha. Gosto que me contem histórias mas também gosto de as contar. A palidez da realidade pode pôr-me sem cor, por isso nada melhor que uma boa gargalhada. Gosto de coisas simples, de pessoas generosas, gosto de arte. interpretei a grande Amália no cinema. Seguiram-se as novelas da SIC. Isso faz com que as pessoas me reconheçam na rua. Estudei no Chapitô onde aprendi todas as bases do que sei fazer hoje. Já fiz muitas coisas, dancei, fui trapezista, malabarista e clown (fica sempre melhor em inglês). Produzo, dirijo e levo a palco livros e autores que admiro. Continuo a querer fazer muitas coisas diferentes. Sou curiosa e não quero deixar de o ser.
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2 respostas a É a pique!

  1. llopes49 diz:

    Menina bonita e sortuda ,uma “voltinha” que vale uma vida.

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Radical, minha. Numa palavra: uau!

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