É urgente?

SERVIÇO DE URGÊNCIA

Homem, coisa boa,
tu não achas que devíamos
sair do pensamento,
palavras, leva-as o vento –
e hoje ele é morno e o dia quente…
Ó my sweet, porquê sair
de onde se está tão bem
e como nós ninguém?
Mas homem bom,
gostava tanto de ser um casal
daqueles que até vão ao hospital…
Angel, uma sala de espera
não tem poética!
Tem, pois, é músculo-esquelética,
eu de heroína romântica
na ressonância magnética,
é bonito, ou tu, na radiografia
a espreitar o osso que assobia.
Darling, e um osso assobia?
Sim, quando passa uma frente fria.
E porquê o drama?
Porque a gente se ama!
E não seria melhor ficar na cama?
Só se for para morder a mesma
concreta maçã.
Amanhã?
Não, agora: eu sou lá mulher
de se jogar fora?!

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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4 respostas a É urgente?

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Isto é mais do que um poema, é a redenção do serviço nacional de saúde.

  2. A. (Ou a Senhora A.) diz:

    O amor é sempre urgente. 😀

  3. nanovp diz:

    O amor é sempre urgente….

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