Levitação

A acusação que sobre mim aqui impende, é a crua e nua verdade: aos 15 anos eu tinha a certeza de que ia conseguir levitar. Um livro na mão, “O Budismo Zen”, de Sua Santidade Alan Watts, as costas pregadas no duro chão do quarto, os olhos em alvo a bater na lisa estrutura arquitectónica a que chamamos tecto, eu sabia que iria descolar do chão e pairar com a suavidade do nenúfar que flutua no água lacustre do jardim da Gulbenkian. Eu sabia que ia levitar.

Não interessa, nem vos direi se levitei ou não. À prodigiosa e ilustrérrima minoria que confia em mim, quero confessar que o melhor, ou o pior, é que hoje estou firmemente convencido que vou voltar a levitar.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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6 respostas a Levitação

  1. A. (Ou A Senhora A.) diz:

    😀

  2. Não diga, senhora, que não acredita? 🙂

  3. EV diz:

    Manuel Fonseca, o que me rio consigo! O Allan Watts é mais sofisticado que o meu livro mistério… mas conte lá de quando levitou!

  4. Voar é bom e levitar ainda melhor.
    Eu já experimentei e descrevi aqui:

    http://vadiomental.blogspot.pt/2015/01/acordei-enorme.html

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