Ernest Hemingway: uma lista

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O professor Hemingway a passar os trabalhos de casa

Abespinhado com o facto de um aspirante a escritor que o procurou nunca ter lido o “Guerra e Paz”, de Tolstoi, Ernest Hemingway passou-lhe trabalhos de casa. Fez-lhe uma lista dos livros que ele tinha obrigatoriamente de ler. Dezasseis livros.

A lista de Hemingway

Stephen Crane – The Blue Hotel
Stephen Crane – The Open Boat
Gustave Flaubert – Madame Bovary
Stendhal – O Vermelho e o Negro
James Joyce – Gente de Dublin
Somerset Maugham – Servidão Humana
Tolstoi – Ana Karenina
Tolstoi – Guerra e Paz
Dostoievsky – Os Irmãos Karamazov
Thomas Mann – Os Buddenbrook
George Moore – Hail and Farewell
Emily Brontë – Monte dos Vendavais
W. H. Hudson – Far Away and Long Ago
Henry James – The American
E. E. Cummings – The Enormous Room
Oxford Book of English Verse

Li-os? Levei logo uma banhada nos dois Crane, a abrir a lista, que nunca li. Também nunca li o George Moore e muito menos o W. H. Hudson , ou seja, de 16 já perdi 4. Do Cummings já marcharam muitos poemas – de vez em quando tiro da estante os “Selected Poems”, editados pela Liveright – mas nunca lhe cheirei o “Enormous Room”, que é a autobiografia dele. Também tinha a certeza de ter o “Oxford Book of English Verse”, o antologizado pelo Philip Larkin, que viajou comigo pelo menos a três continentes, mas não o encontro. Balanço: 10 lidos, 5 falhas a corrigir, e mais um livro ingloriamente perdido ou desaparecido em combate.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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10 respostas a Ernest Hemingway: uma lista

  1. EV diz:

    Quem raio é o tio Crane, é o poeta? Hummm, não me leva ao céu – nem sequer à missa quanto mais… Liste lá os seus 16 obrigatórios, svp.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      O Crane é esse mesmo. Assim como assim, também não penso ler mais do que os poemas que já lhe li. E eu tenho lá capacidade para escolher 16 livros? Mas se postar a sua lista, eu esforço-me e faço uma.

  2. José Amaral diz:

    Tive um professor na Faculdade de Letras, na Cadeira de Literatura Inglesa IV, um Poeta, que nos obrigou a analisar poemas ao longo de todo o ano lectivo. Antes do último teste, já em Junho, disse-nos:
    – Meu Caros, para o último teste, dentro de dez dias, vou dar-vos uma Lista de oito Romances, sobre os quais terão de responder, na Prova, a tudo o que vos for perguntado.

    Burburinho, confusão, uma certa revolta! E fui eu quem se decidiu a perguntar:

    – Oito…Romances? Mas porquê, se se passou o ano a analisar poemas?
    – A razão é simples, respondeu ele, com o ar mais natural do mundo: fazem parte do Programa; só que detesto Romances e, por isso, “deixei-os para o fim”!…

    Escreveu a Lista no Quadro e…saiu.

    Lemos todos os Livros que nos foi humanamente possível ver e, por mim, falhei a leitura de dois deles.

    Dia do teste e entrada nervosa na sala. Ele, Professor, divertido. Olhou para nós e deu-nos, a cada um, uma folha de papel onde se encontrava…um poema, tendo escrito por baixo, quase no fim da folha A-4:

    ” – Analisem o poema que vos é proposto e tentem relacioná-lo com os Romances que conseguiram ler”.

    Ri, com prazer, e entreguei o meu enunciado pouco mais do que uma hora depois.

    De nada interessa, mas fiquei orgulhoso de ter a nota final de 15 valores. Um feito inédito, com “o Professor”…

    P.S. – Da Lista que nos foi então indicada, e comparando-a com a de Hemingway, estava incluído “Moby-Dick, de Herman Melville, uma Obra que nunca esquecerei; por isso mesmo a refiro.
    Obrigado, Professor, pela sua loucura!

  3. teresafont diz:

    Por aqui, Crane, népias. Sinto-me bem acompanhada.

  4. Helena Sacadura Cabral diz:

    Fiquei mais tranquila. Daqui só li metade. Mas em compensação li outros que não estão aqui e que Hemingway não cita ou porque não leu ou porque os não achou interessantes. Prefiro a Montanha Mágica aos Brudennbrook, por exemplo. Mas eu escrevinho e ele escrevia…

    • Gostos são gostos, mas eu estou consigo, Helena, também prefiro a Montanha Mágica. E do Dostoievski, o Crime e Castigo. E do Maugham, o Fio da Navalha. E metia já na lista um Camões,um Shakespeare e as Palmeiras Bravas do Faulkner que faria o Hemingway torcer-se todo…

  5. nanovp diz:

    Anda fiquei com menos pontos que tu Manuel…e ainda bem que gostos são gostos…

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Claro, Bernardo, caso contrário não tinha graça: não podemos ler todos a mesma coisa e, ainda menos, gostar das mesmas coisas.

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