Humping em Portugal

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Bem sei que sou uma Tia com pouca vida social. Mas a verdade é que nem amigos, nem amigas, sequer os meus Tristes sobrinhos me tinham até agora falado do humping. Perguntam bem, o que é o humping?* Lembram-se de ir em visita de cortesia a casa de alguém e vir de lá um arfante cãozinho, língua de fora, agarrar-se à vossa perna como quem se agarra à amada, sem pensar em amanhã. Sim, com esse famoso movimento de vai e vem que nunca mais des-larga?

O humping é isso mesmo, mas praticado por seres humanos. É famoso no Japão, esse país de imparável originalidade em tudo o que é bizarria sexual. Escandinavos e escandinavas, anglo-saxónicos, um grupo socialmente privilegiado na Costa Rica, o humping é praticado um pouco por todo o mundo. E acaba, recentemente, de ganhar a sua carta de alforria artística. Dois bailarinos e amigos – Dmitry Paranyushkin e Diego Agulló – criaram o «Humping Pact». O objectivo é claro e simples: “ocupar o espaço público e roçar-se (ou esfregar-se em vai-vem) em conjunto. Mas atenção esse “esfreganço colectivo” deve ser feito em lugares públicos que tenham perdido a sua função – uma fábrica abandonada, uma rua decadente, um palácio em ruínas.

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O enervamento sensorial que decorre da convulsão (chamo-lhe assim) dos corpos comunica-se aos lugares e altera-lhes, dizem os bailarinos, o espírito, conferindo-lhes uma intimidade tão forte como o sentido primordial que esses lugares possuíam. É bem caçado, claro. Mas é uma canseira. O humping (pelo menos de uma forma geral), disseminando embora a pretendida intima loca (é latim, sim!), não tende a disseminar mais nada. Também o que é se podia esperar da nua carne contra um muro da Assembleia da República ou contra a coluna de ferro de abandonada siderurgia?

* aqui, neste artigo do Libération onde aprendi tudo, chamam-lhe “masturbation sans mains”.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.
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11 respostas a Humping em Portugal

  1. adelia riès diz:

    Nao percebi porque mantinham os sapatos e as peùgas. Gôstos nao se discutem.

    • Escrever é Triste diz:

      Foi o que Jorge de Sena perguntou, num poema sobre uma orgia em que, por acaso e intempestivo retorno, o narrador do seu poema entrou.

  2. Espero que a Tia Escrever, mais entendida na matéria, nos dê uma explicação, cara Adélia.

  3. EV diz:

    Nem sei que lhe diga, Tia…

  4. riVta diz:

    Agora sim. É caso para dizer: Oh my dog!

  5. llopes49 diz:

    Mesmo assim não quero iniciar-me a Humpingar ,prontos.

  6. Fatima MP diz:

    Há cada vez mais novas formas de loucura que ficam oficializadas porque lhes dão, a correr, nome e endereço … são “instalações” humanas … brrrr!!

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