Balcons

 

 

Caixa

O livro, de 1998, é da editora nova-iorquina Ipso Facto, mas a pele do livro, a carne que é o seu miolo, é toda francesa. Vem numa caixa cartonada, de cor creme, minimal: um título, “Balcons”, e o nome dos dois autores, o fotógrafo Jean-François Jonvelle e a designer de moda Nathalie Garçon, que só veste mulheres que amem os homens. Veste-as de sedução, muito humor e a liberdade de quem vem à varanda, ou que vem pelo menos à janela.

capa

 

Chegados à janela, percebemos a ironia do título. Não é de balaustradas, nem de varandas que se vai falar. Tira-se o livro da caixa e aparece uma capa de leve cartolina bordeau com recorte rectangular ao alto a deixar ver a imagem da primeira página. Bem desenhado, no recorte aparece então o “balcon” de uma jovem actriz, belíssima, que seria, dez anos depois, em 2007, a mais bem paga actriz francesa, com uma declaração de impostos a roçar os dois milhões e oitocentos mil euros.

 

Mathilde

Mais do que um Está Escrito, “Balcons” Está Fotografado. Um separador dourado anuncia cada uma das 10 jovens actrizes francesas que Nathalie e Jean-François vestiram e fotografaram. São dez produções em que, passe embora serem fotografias de corpo inteiro, domina a redonda doçura do peito, a abertura do decote, a acentuada clivagem do que, por mais que se junte, logo queremos que se separe. Por exermplo: Mathilde Seigner. Consta que Mathilde Seigner nem acreditava que era tão bela quanto bela era. Não sei se a foto acima é a prova dessa incerteza, desse dilema que quase fica a nu.

Mariane

Se tivesse mesmo de escolher, deixava-me levar pelos ombros “insubmissos” de Mariane Groves, actriz franco-canadiana que filmou com Lelouch, Bigas Lunas e fez até um filme com um título que não se lhe aplica: “Les gens normaux n’ont rien de exceptionnel”. Eu acho que ela se parece, pela generosidade física, com uma chabroliana excepcional, Bernardette Laffont, de quem guardei juvenis fotos fetiches, ainda Mariane mal era nascida. Neste livro, é pela sua pele de água que escorrega o forro sedoso de um vestido plissado.

Não sei já como me chegou o livro às  mãos, nesse ano longínquo de 1998. Sei que hoje já se vende na net a preços acima dos 110 euros. Ainda não aceito ofertas.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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5 respostas a Balcons

  1. EV diz:

    O livro é bonito que se farta: faz justiça aos balcons…

  2. JD diz:

    Faz bem não aceitar ofertas.Imagine.Que colocaria na sua “varanda”?…Um manjerico ou uma sardinheira?

  3. nanovp diz:

    Sedutor só de ver….

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