O livro do Padre Augusto Cima, o meu amigo P.A.

CONVITE_Cuidar

Conheci o Padre Augusto Cima no Lobito, em 1974, no meio da turbulência que foi a batalha da independência de Angola. Era professor no Liceu Almirante Lopes Alves e pároco na lindíssima igreja de Nossa Senhora da Arrábida, na Restinga. Sereno, apaixonado e de uma cultura e inteligência raras, mas que não espantam no monge beneditino que ele é, ao agnóstico que eu era e sou, ensinou o caminho da tolerância – e se eu vinha com montes de fósforos na mão! Dei aulas no mesmo liceu dele e quase que aprendi a ser professor, missão que vai muito além de uma suposta competência técnica.

Depois, em Portugal, o Augusto, o meu amigo P.A.,manteve sempre o sentido de missão e durante décadas foi, de corpo e alma, o abnegado e prático capelão dos Hospitais Curry Cabral e Miguel Bombarda. É essa magnífica experiência de décadas que ele agora converteu em livro, um livro de serviço à comunidade que somos.

Amanhã, é o lançamento do seu “Cuidar, Curar, Fazer Viver”, uma obra sobre a acção espiritual do capelão nos hospitais, sobre a necessidade de consolo ao sofrimento dos doentes. Vou lá estar, ao lado do meu amigo Augusto e uma das peças fortes vai ser a leitura de um belo texto que o Prof. José Mattoso escreveu sobre o livro,  especialmente para esta sessão.

Aos meus amigos do Lobito e Luanda e aos que privaram com ele no Luso, aos que foram seus alunos nos últimos 30 anos, em Lisboa, peço que venham, que participem. Amanhã, às 18:30, na livraria Bertrand, do Forum Picoas/Plaza, há-de ser uma singela homenagem a quem dedicou uma vida inteira aos outros, aos que precisam, aos que precisaram de uma fatia de pão para a boca, aos que precisaram de uma palavra consoladora para o espírito. Tenho orgulho de ser amigo deste homem, tenho orgulho de ser o editor deste livro útil e dialogante. O orgulho de quem, sem nenhum mérito, teve a sorte de encontrar na vida um homem sábio, leal e justo. O meu amigo P.A. é esse homem.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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4 respostas a O livro do Padre Augusto Cima, o meu amigo P.A.

  1. Nunca troques fósforos por amor:

  2. Deus não te perdoará:

  3. JD diz:

    Por tudo o que disse, comprarei o livro na próxima oportunidade.Será a minha pequenina homenagem ao “Exemplo” que apresenta.

  4. nanovp diz:

    Manuel, tenho pena de não ter podido estar…são muitos os bons exemplos mas são tantas as vezes que passam despercebidos…

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