Bonjour Mundo!

Adoro isto! Não acho normal... Pior, devo ter bebido hortas inteiras neste últimos anos!

Adoro isto! Não acho normal. Pior, devo ter bebido hortas inteiras nestes últimos anos. E os cafezais? Preciso de uma quinta para ser bio-sustentável, qual um T0 qual o quê…

Levantei-me e as voltas do costume. Sumo verde. Café. Janela aberta e luz a rodos para cinco gramas de sol até à chegada das nuvens. Ia fazer a minha sequência mágica como a banha da cobra, mas por não estar em dia de estica e não dobra, não fiz. Nem sequer fiquei aborrecida comigo mesma por não a ter feito – céus!, qualquer dia sou uma mulher tolerante… como é que nos vamos desabitando de quem fomos para dar lugar a outra pessoa que afinal somos nós?

O meu sonho maior era a física. Continuo a ler tudo o que apanho em palavras de gente, mas quando me falam nas línguas dos anjos, que no caso é em números, não percebo nada. Este sonho é desfasado, e sempre foi desfasado da minha natureza que é poética e nunca foi outra. O outro sonho, então, ainda é mais pateta, mas a verdade é que imagino o que seria ter nascido para ser de Shaolin ou Wudang.

Em vez de qigong, abro o email. O que tu queres, existe, mas quem tem não vende pelo preço que tu queres, escreve a minha prima. Mau Maria. Um dos agentes que contactei enviou-me fotografias. Afinal há esperança. Dois apartamentos em Lisboa. Um quinto andar perto da Sé, T0, sem elevador, sem um único varandim, de vinte e nove, sim, vinte e nove metros quadrados e sem as obras concluídas custa cento e quarenta e nove mil euros. Ao lado, outro de trinta e nove metros. Manda-me também a informação que havia pedido e mais fotografias de um T2 recuperado – não é nada de especial, aliás é todo de esquinete, mas é luminoso, o soalho é original, os tectos altos: tem noventa e três metros quadrados e custa quinhentos e sessenta mil euros.

Penso que bem podia desistir. Da física e de Wudang. Da poesia e do frete imobiliário. Mesmo do qigong e do sumo verde. E não desisto. Alguma coisa me puxa adiante. Ou alguém: penso que é o presente do meu eu futuro.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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8 respostas a Bonjour Mundo!

  1. Senhora A. diz:

    A poesia te puxa adiante. E eu já me prendi em cada verso que você escreveu.
    Ou não… Sei lá… Já não sei se sua poesia me prende ou liberta, mas eu respiro melhor quando a leio… 😀

  2. Isso de sermos tolerantes, desa­bi­tuando-nos “de quem fomos para dar lugar a outra pes­soa que afi­nal somos nós” é muito bem caçado. Merece um sumo verde. Ou mesmo um bom copo de rouge!

  3. nanovp diz:

    Não desista nunca, aliás ninguém deveria desistir perante esse verde maravilhoso….que ainda por cima deve ser saudável…

  4. riVta diz:

    ” como é que nos vamos desa­bi­tando de quem fomos para dar lugar a outra pes­soa que afi­nal somos nós?”
    – arquitectura pura.

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