Carta de uma desconhecida

sandra barata belo

A Sandra Barata Belo, Tristíssima actriz deste Escrever é Triste, adaptou e encenou um texto admirável de Stefan Zweig, a novela “Carta de uma Desconhecida”. Podia ter sido só fiel ao texto e isso bastaria. Foi fiel e infidelíssima, autorizando-se toda a latitude que o texto contém. É um trabalho arriscado, de procura, inovação e maturidade. O que gostei de te ver, Sandra

Num belo cenário minimal, face a um texto que podia ser só evocativo, Sandra Barata Belo faz do texto uma oportunidade para celebrar o movimento do corpo do actor no espaço. Já só há, amanhã, mais uma representação. Vale muito a pena ir ver e dar de caras com a surpresa da cena de amor entre a desconhecida e o destinatário da carta. Bailado, coreografia, sensual, intensamente física, íntima e exuberante, é a cena chave da peça, com notável entrega da Sandra Barata Belo e de Felix Lozano, bailarino e actor que, como os futebolistas que entram em jogo para comer a relva se for preciso, até o papel das cartas come à frente dos nossos olhos que não nos deixam mentir.

É amanhã, domingo, às cinco e meia da tarde no São Luiz (na sala Mário Viegas).

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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Uma resposta a Carta de uma desconhecida

  1. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Fomos ver e gostei muito, e nada fácil!!! De tirar o chapéu.

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