O fim da História, por Jenny Hval

Jenny Hval é norueguesa, canta numa linguagem desbragada num tom que oscila entre a pop e o experimental, e prega o fim da História, sempre com uma angústia de quem não se sente confortável no mundo em que vive. A boa notícia é que, ao contrário de Fukuyama, não engana. Ouçam-na cantar “Yes! You say I’m free now, that battle is over and feminism’s over and socialism’s over Yeah! I say I can consume what I want now” e facilmente percebem ao que a rapariga vai. Não engana na mensagem (não se deixem levar pelas obscenidades que a sua bela voz solta, faz tudo parte do manifesto político) e não engana no talento. Querem a prova? Esta que vos deixo é mais do que suficiente: That Battle is Over, uma das grandes canções do ano so far.

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.

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