Marx, Nietzsche, Freud

FMN

De Vincennes (Paris VII, não era?) ou de alguns sub-departamentos da Faculdade de Letras, quando saía a procissão, lá iam os três andores. Num ia, barbas de molho, o velho Carlos Marx, no outro, super-jovem e super-homem, o infodível e infodido Frederico Nietzsche, no terceiro, não dando sossego à senhora sua mãe e estragando o charuto ao senhor seu pai, Segismundo Freud.

Não fui só eu, gerações inteiras, de 68 até finais dos anos 70, escorregando ainda pelos anos 80 como a bota desliza num lameiro, carregámos aos ombros estes santos mentores. Vinham hordas de devotos pôr-lhes notas de escudos velhos e francos novos na fímbria dos mantos. Era a nossa ciência, nesse tempo em que a ciência se orgulhava de ser uma fé.

Depois, aos francos, escudos, pesetas, aos intolerantes marcos meinhoff, à vermelha brigada das liras foi um ar que lhes deu. Veio o euro e subsumiram-se. Ouvi dizer que, agora, procissões dessas só mesmo em selectas universidades americanas da liga da hera. Penduram dólares no streaptease de Marx, Nietzsche e Freud? Ora digam lá se o mundo não muda. Há uma turbamulta de sábios a perguntar ao louco, e quem diz a um, diz a três, onde é que se enfiou a felicidade.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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4 respostas a Marx, Nietzsche, Freud

  1. EV diz:

    Ai se vem aí a brigada do politicamente correcto, Manuel Irreverente Fonseca…

  2. pedronorton diz:

    A mim tocou-me sofrer com o Freud. Ninguém me impingiu o Marx. Mas desde cedo aprendi a não contar sonhos à minha mãe. Levava sempre com uma sexualizada interpretação de fazer corar as pedras da calçada que eram eu de calções.

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