A Bela e o Monstro

A BELA E O MONSTRO

Abro um livro,
leio dois versos
ou três poemas,
fecho-o,
pego noutro,
meia dúzia de páginas
em meia dúzia de linhas,
espreito o email
e o jornal e
até a composição
do creme das mãos,
Barral.
Farejo uma palavra,
uma só:
a rosa vermelha
num jardim de neve:
a chave do poema por vir
ao silêncio branco da folha,
à vida em branco,
à espera.
A folha caiu da rosa vermelha.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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5 respostas a A Bela e o Monstro

  1. teresafont diz:

    Ai, Eugénia. Feliz Natal, mesmo depois do acto. Do peru, digo. Como dizemos, ou digo eu, no FB,’um beijo grande’ para si e para todos os Tristes.

  2. Senhora A. (Ou a Escritora Fantasma) diz:

    Uma rosa vermelha num jardim de neve… Às vezes, me parece uma pessoa se sentindo só no meio de tanta gente… Uma só palavra… Por que só uma? Eu sei bem… Muitas vezes, uma só palavra basta.

    “Não me importa a palavra, esta corriqueira.
    Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
    os sítios escuros onde nasce o “de”, o “aliás”,
    o “o”, o “porém” e o “que”, esta incompreensível
    muleta que me apóia.
    Quem entender a linguagem entende Deus
    cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
    A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
    foi inventada para ser calada.
    Em momentos de graça, infrequentíssimos,
    se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
    Puro susto e terror.”

    (Antes do nome – Adélia Prado)

    Um abraço! 🙂

  3. Paula Santos diz:

    Um bom ano. Cheio de alegres tristes. Não nos abandonem ok? 😉

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