Amor circunflexo

Já aqui contei por muitas vezes que o grande herói da minha meninice foi o meu avô. A minha avó era uma mulher prática, mais dada a reservas do que a colos. Talvez cozinhasse os afectos em forma de bolos. Mas a verdade é que quando morreu me deixou um dos presentes mais silenciosamente bonitos que já recebi: as cartas de amor – ridículas, já se vê – entre a sua mãe e o seu pai. E eu, que às escondidas sou dado a declarações de amor ridículas, li-as e reli-as tantas vezes que resolvi fotógrafa-las.

São restos de um amor circunflexo que já não há.

Amor 1

Amor 1

Amor 2

Amor 2

Amor 3

Amor 3

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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7 respostas a Amor circunflexo

  1. Paula Santos diz:

    Adoro o amôr protegido pelo som fechado da vogal, já por si, fechada sobre si mesma. Já não há. Há, felizmente, um coração amaciado por um til que ainda não o abandonou.
    Adoro ser ridícula. Adoro. 🙂

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Mas que grande e lindo AMÔR.

  3. EV diz:

    Muito bom tríptico!

  4. nanovp diz:

    Acentos e cor: uma bela mistura!

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