Cinco desejos em forma de Assim (*)

O meu avô a sonhar mentiras em vez de fazer os trabalhos de casa.

O meu avô a sonhar mentiras em vez de fazer os trabalhos de casa.

Ouvir uma, só só mais uma, daquelas histórias com a cheiro a África que o meu avô sabia mentir com uma mentira muito sua.

Descer a Rua do Ouro, entrar “numa daquelas lojas que são misto de café, leiteira e casa de alto“, pedir uma cerveja bem me fresca que me saberá pela alma e dar com o Tiago “sentado a um canto a tomar um copo de água gelada“.

Ser Viena e ter um comboio de fingir impossíveis que durasse uma noite inteira.

Férias Grandes. Azuis, Verdes e com uma vista só vista para a Serra d’Arga. Musgo, girinos, granito, corredores sem fim e uma mesa muito, muito comprida com toda a família do mundo.

Roubar, tão bem roubado que todos o jurassem meu, o título mais perfeito que um homem pode roubar. Croquis et agaceries d’un Gros Bonhomme en bois.

(*) este post estava a dormir noutro cemitério mas regressou mesmo a jeito de responder ao Manuel.

 

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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