Cinco desejos impossíveis

MF et RN

Eu gostava tanto mas tanto…

De saber todas, mesmo todas, as línguas vivas e mortas, e de ler tudo quanto quisesse, de sagrado e de profano, de secreto e de público – só pensar nisto já é bom…

Que o tempo desse um pinote e hoje fosse outra vez dia 21 de Fevereiro de 1962 e eu, sem ter nascido nem nada, estivesse na Royal Opera House a assistir à primeira apresentação de Nureyev com Margot Fonteyn – ou como o próprio disse na altura sobre os dois em palco quando dançavam, one body, one soul.

De ter estado nos olhos do Hubble – e de ter amanhãs suficientes para viver nas colónias do futuro espacial. Adorava!

De acreditar na transmigração das almas, que o amor atravessa o tempo para existir no tempo, para poder dizer, dizendo a verdade absoluta como só a fé sabe dizer: sei que existes, sei que és para mim, tu que és comigo amor completo.

De ter um mestre que não fosse para pagodes e me obrigasse a trabalhar como a um condenado feliz, o Jacob de Camões. Um dia Borges. Um dia Roth. Outro dia Hesse. Um dia Homero. Um dia Faulkner. E Murasaki e Tagore. E porque nem só de letras vive uma mulher, bom mesmo bom, era ser a melhor discípula alguma vez vista de Yip Man.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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4 respostas a Cinco desejos impossíveis

  1. Senhora A. (Ou Malévola) diz:

    Nossa, temos três desejos semelhantes… 🙂 O primeiro, o terceiro e o quarto… No lugar do segundo, eu colocaria que queria ter nascido antes… Para conversar com C.L.. Não tive sorte, nasci na década de 80, após sua morte… 🙁 … Meu quinto desejo impossível… Puxa!… podia começar a nevar aqui em São Paulo… 😀
    Bom, como sou uma Malévola “boalévola” te deixo um presente de A.P, que claro, você já cansou de ler… Mas é gostoso.

    “Os diamantes são indestrutíveis?
    Mais é meu amor.
    O mar é imenso?
    Meu amor é maior,
    mais belo sem ornamentos
    do que um campo de flores.
    Mais triste do que a morte,
    mais desesperançado
    do que a onda batendo no rochedo,
    mais tenaz que o rochedo.
    Ama e nem sabe mais o que ama.”
    (Pranto Para Comover Jonathan)

    Um abraço! E Feliz Ano Novo! 🙂

    • EV diz:

      Ao contrário de si, senhora A., penso que não gostaria de conversar com os meus ídolos, prefiro tê-los mais formalmente: o lugar dos santos é no altar, e eu não quero que caiam… 😀

  2. M. Cecília Raposo Magalhães diz:

    O que eu muito adoraria , era voltar a conviver com Margot Fonteyn e Nureyve!!
    Sim convivi com duas estrelas, que muito me marcaram.
    Era ainda miuda, mas apaixonada por ballet. Tive a enorme sorte deles terem dado.3 espectáculos em Luanda. E, lá foram , levados por.uma tia minha, que era Presidente do Circulo.de Cultura Musical.
    Estive esses dias sempre com eles, e a.Margot ofereceu-me uma sapatilha.dela,.autografada !!
    Um privilegio. ,.que nunca.esquecerei
    Bom ANO

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