Eu, o Manuel e o cão.

Já vos disse que tive uma aldeia. Deixei lá, guardo lá, as recordações mais felizes de uma infância enorme de primos. De tios, de musgo, de granito e do azul cortante do frio. E a presa, claro. Os cabeçudos, o vinho a gelar para os mais velhos. Sonhos que se faziam camarata e se assombravam de solares.

A minha aldeia, concreta, metafórica, vive hoje dentro de mim. É para lá, para a festa, para o descanso em mim, para a luz, para a sombra, para o silêncio, para o tinir dos sinos – que só na cabeça dos tolos são coisas que não se querem juntas – que regresso de cada vez que a vida se desnexa. É a minha forma de entrar pela terra dentro, de fazer Natal em todos os dedos da mão.

Este ano quis a aldeia que o Natal fosse um passeio. Eu, o Manuel e o cão.

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Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.

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