Fazemos hoje 4 anos

Foi esta a primeira imagem do blogue Escrever é Triste, a da Rapariga Adormecida com Gato, que Pierre-Auguste Renoir um dia pintou. Passaram quatro anos. Foi a 14 de Dezembro de 2011. Hoje é, por isso, dia de dar os parabéns a todos os TRISTES.

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Rapariga adormecida com gato, Pieere-Auguste Renoir

A imagem vinha à cabeça de um post intitulado “Onde Nunca Fui, assinado pela Tia Escrever. Um post onde ela se rendia aos Tristes. Dizia:

Pro­me­te­ram escrever-me, desenhar-me e fotografar-me. Deixo que me toquem e se dis­se­rem “despe-te”, dispo-me.

Espero que me façam rir. É ver­dade que não me rio de qual­quer coisa. Mas sor­rio de mui­tas. E – de vez em quando uma lágrima – que me façam tam­bém um boca­di­nho de choro.

Sobre­tudo, espero que me escre­vam, dese­nhem e foto­gra­fem com uma ele­gân­cia desu­mana, tão alum­bra­da­mente desu­mana que mesmo não estando de acordo, não saiba, nem queira saber, por­que é que não estou de acordo.

Convenhamos, era todo um programa. Havia, aliás, um editorial. Que lá continua firme, dele se destacando dois pontos essenciais:

Escrever-se-á de tudo, desde que sejam gos­tos: de livros ou de fil­mes, de pin­tura ou de música, de ideias ou de com­por­ta­men­tos, do quo­ti­di­ano ou de utopias.

Para se escre­ver de tudo, tudo serve: uma lem­brança de infân­cia, um acon­te­ci­mento em curso, um far­rapo de con­versa que se ouviu, uma efe­mé­ride, a actu­a­li­dade, a pas­mosa vari­e­dade do que se publica na “rede”. A única exi­gên­cia é que esse tudo seja con­ver­tido numa voz, a voz de quem escreve.

Se temos ou não essa voz própria, se temos alguma singularidade nesta rede galáctica, cabe aos nossos leitores dizê-lo. O que posso dizer é que eu sou um dos Tristes e estou para aqui sentado, há quatro anos, e gosto. Perdão, gosto muito.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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16 respostas a Fazemos hoje 4 anos

  1. Diogo Leote diz:

    E eu também gosto, perdão gosto muito. Muitos parabéns e longa vida para a nossa querida Tia.

  2. José Amaral diz:

    Parabéns a esta rica e alegre “Tristeza da escrita”, assim como ao seu criador e (bem/n)feitor! O meu “escrever é relaxar” felicita-a e deseja-lhe muitos mais anos de existência e de vida; para ir apreciando e comentando esta feliz iniciativa. Bem haja!

  3. Heloisa Campos Freire diz:

    Parabéns aos Tristes que só me trazem alegrias!

  4. E eu que também gosto tanto, titi, mesmo sem cá aparecer para petiscar tanto como gostaria, também lhe deixo aqui os meus parabéns.
    Quatro anos é muito tempo à volta desta nossa mesa de escrita e leitura. E têm sido 4 anos tão bons que me sinto imensamente agradecida por fazer parte deste grupo de sobrinhos.
    Obrigada por tudo, titi, e que os nossos próximos anos sejam ainda melhores!

  5. nanovp diz:

    Sem esta tristeza amável sucumbiríamos mais facilmente aos dias cinzentos da tristeza sem alegria e sem esperança…

  6. riVta diz:

    Já me habituei a ser triste. Agora não quero outra coisa. 😀

  7. Parabéns aos tristes, sigo alegre o seu escrever. Música para meus ouvidos cariocas/brasileiros. Nos fazem pensar na beleza da língua mãe. Os descobri fazendo Literaturas de Língua Portuguesa,amei e agora só me resta esperar os seus posts todos os dias.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Carla, conte-nos, por favor, essa estória bem contadinha. Foi o professor que lhe disse, foi a Carla que tropeçou em nós? Temos de saber, para incluir a estória no nosso catálogo de acasos felizes. Obrigado por nos ler.

  8. EV diz:

    Eu também gosto que me farto!

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