Por um brevíssimo instante, sorriu-me ao contrário

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Esta fotografia fará, por estes dias, seis anos. Era Dezembro, fim de Dezembro e eu vagueava, feliz, pela costa ocidental da Índia. Era Puducherry, antigo enclave francês, ali esmagado, esventrado, esquecido, em frente a um mar muito cinzento. O dia tinha sido longo, o hotel era muito manhoso, e eu pus-me a espreitar, à janela, a beleza absurda do quotidiano.

Foi então que ela, sabida, por um brevíssimo instante, me sorriu ao contrário.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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2 respostas a Por um brevíssimo instante, sorriu-me ao contrário

  1. Paula Santos diz:

    Há instantes brevíssimos que valem muito a pena. Um bom ano. Seja lá isso o que for. 🙂

  2. Pedro Norton diz:

    Também para si Paula!

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