The Best of the Albumns

 

rock-n-roll-animal-coverEle parece ela, a música enche o ar e para alguns a alma.

Como toda a boa música…

O som prístino, metálico e rugoso é construído numa dialéctica, estranha e pouco ortodoxa, entre todos os instrumentos da banda. Secção rítmica, duas guitarras, um teclado e a voz que não canta mas fala como se tratasse o Deus da música como tu.

Aqui um pouco de baixo que se eleva, ali o duo de guitarras. O volume que varia consoante o espírito da melodia.

O “Glam Rock” na perfeição enquanto os textos de Lou ecoam como clássicos.

Queremos dançar, mexer o peso do corpo.

A vida lá fora é uma grande merda, (ou como diz a canção “life it’s just a dive”), mas aqui neste pequeno e minúsculo cubículo, a música atinge os confins do universo, e tudo parece perfeito.

Para os sortudos que presenciaram a mítica noite na academia de musica de Howard Stein, em Manhattan, (que ficou eternizada em dois álbuns Lou Reed Rock and Roll Animal e Lou Reed Live), foi a surpresa de sentir o renascimento do músico até então ligado aos míticos Velvet Underground.

A partir daqui era tudo possível. Mas na produção e gravação, no encontro entre músicos desconhecidamente sublimes, nunca mais foi igual, e talvez nunca se tenha repetido esta longínqua noite de 21 de Dezembro de 1973.

Deixo-vos com  “Intro/Sweet Jane”que chega logo a para arrasar…

 

 

 

 

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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6 respostas a The Best of the Albumns

  1. pedronorton diz:

    A minha vida não seria minha se não tivesse a banda sonora de Lou Reed. Só o vi em Lisboa. Já não fui a tempo de nascer para ver os Velvet…

  2. EV diz:

    Muito bom!

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Tratar Deus como tu é uma bela forma de conversar…

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