Casai-vos, rapazes

As boas decisões que tomei na vida nunca foram no dia 1 de Janeiro. Nesse dia, ou estava ressacado, ou enjoado ou não tinha nenhum banco com que embirrar. As resoluções do BPN, do BPP, do BES ou do Banif também me ensinaram a não tomar resoluções de ânimo leve.

Tomei, no entanto, algumas resoluções na minha vida, a maior parte das quais, felizmente, não me lembro, que se revelaram decisivas.

– A primeira foi não tomar resoluções decisivas;

– A segunda foi casar-me quando todo eu achava que não o devia fazer. Curiosamente, não casei a 1/1, mas casei a 2/2 (para não me esquecer e não ter de fingir; assim esqueço-me e é óbvio que me esqueci).

Juntamente com ter deixado de fumar, o meu casamento foi a resolução mais importante da minha vida e salvo erro aquela que mais influência terá sobre todos vós. Descobri que um tipo casado tem mais hipóteses de ter uma vida feliz e duradoura.

Este estudo, da Universidade de Harvard que dura há 75 anos, não tem tanto a ver com a possibilidade de enganar o cônjuge, mas com o facto de haver cônjuge, aquele tipo de cônjuge, que como dizia o O’Neil referindo-se ao sexo feminino, onde há naturalmente mais cônjuges, têm aquela

Espiada fresta
aberta, patente, honesta

retrato oval da virtude
consoladora do triste
remanso, beatitude
para o colérico em riste

Assim sim, virgens sensatas
(Nos telhados só as gatas…)
Pensai antes na mobília
honestas mães de família

(Aproveitando uma aberta, Alexandre O’Neil)

Assim, não tendo feito resoluções no primeiro dia do primeiro mês do ano, estou contente por ter feito a resolução no segundo dia do segundo mês do ano.

E dou-vos um conselho para a vida, rapazes: casai-vos! Casai-vos nem que seja com uma mulher feia, pois já dizia o velho Séneca que nenhuma se considera assim. E o Santo Tolstoi acrescentava “Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil”.

Por isso, vá de ir ao registo. Mas não resolvam isso hoje. Nem isso nem bancos, certo?

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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Uma resposta a Casai-vos, rapazes

  1. EV diz:

    Portanto quando uma mulher diz a um homem: ó filho!, pela tua rica saudinha… não está a perder a paciência para o aturar naquele momento, está, vá, a renovar os votos de casamento.

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