Reflexões (muito) inteligentes sobre o tempo que passa

feliz-2016

Imagem roubada a angolabelezaebelo.com

Este ano é o melhor das nossas vidas, porque todos os anos passados já não os podemos viver na nossa vida – apenas na memória. Por isso, deixem-se de coisas e celebrem isto. Ou, se preferirem, não celebrem nada.

Eu, um dia, estive para não passar de ano. Foi triste, mas felizmente, no último momento, consegui que o professor me desse um 10 e passei. Fiquei aliviado. E pensei: sempre é melhor passar de ano do que ficar para trás.

Não tenho por 2015 qualquer admiração. Foi um ano tão mau como 2014 e além disso morreu-me uma pessoa muito querida. Mas não sei como será 2016. Poderá ser pior? Poder pode, mas eu não podia ficar em 2015 porque foi um ano não frequentável. 2015? Pas sortable! Dizia, em francês, um amigo meu que só fala esse idioma por ter nascido em Bruxelas. Na verdade, ele também fala alemão e flamengo, mas eu não. Assim, ele para mim só fala francês.

Há 10 anos atrás estávamos em 2006. Há 10 anos à frente estaremos em 2026. Isto não vos faz pensar? Devia fazer-vos pensar, pelo menos, numa coisa: é que não se diz há 10 anos atrás, porque o verbo haver no sentido de existir indica passado e não tem plural. Se tivesse plural teríamos de dizer hão 10 anos atrás.

Amanhã é dia de Reis em Portugal. Em Espanha é todos os dias.

Depois de amanhã começa 2016 para os russos e generalidade dos eslavos, como ucranianos, bielorrussos, cazaques, azeris e outros povos que estão atrasados sete dias em relação a nós. Foi mais ou menos por estas e por outras que a Revolução de Outubro na Rússia já foi em Novembro no resto da Europa.

Hoje é Yaum al-Ithnayn do ano de 1437 para os que seguem o AH (Ano da Hégira), ou seja, todo o mundo islâmico. A Hégira foi a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622. Maomé nunca correu Ceca e Meca, mas fez com que eles se atrasassem 579 anos em relação a nós. Por que razão não são 622, têm de perguntar ao Dionísio (mais à frente dou contactos).

Hoje é, também, 25 de Tevet de 5776 no calendário judaico. Estes vão 3760 anos à nossa frente, pelo que os nossos contemporâneos já estão todos mortos (quer dizer os judeus que viveram em 2016). Como isto é contado desde a criação do mundo e é um calendário lunissolar (baseado nos ciclos da lua) a gente nunca sabe a quantas anda. Daí a ideia do judeu errante (enganava-se nas datas).

O nosso calendário foi criado por Dionysius Exiguus. Eu sei que parece uma personagem do Astérix, mas ele viveu entre 470 e 544 (mais ou menos) e tomou o nome de Exiguus que significa menor ou humilde. Nasceu na Cítia, que hoje faz parte da Roménia e lembrou-se de contar os anos a partir do nascimento de Cristo, introduzindo o AD (Anno Domini ou ano do Senhor). A partir de 500 viveu em Roma, onde era considerado sábio por ter acabado com a confusão do ano juliano, que foi reciclado em sopa juliana.

E por hoje é tudo. Mais reflexões inteligentes sobre o tempo que passa num dia qualquer de um calendário perto de si.

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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