Venham os Clássicos (II)

“Only a very small part of architecture belongs to art: the tomb and the monument. Everything else that fulfils a function is to be excluded from the domain of art.”
Adolf Loos
“Architecture worthy of human beings thinks better of men than they actually are”.
Theodor Adorno
Schinkel Neue Wache

Schinkel Neue Wache

Parece simples.

E até passa despercebido, numa cidade toda ela Neo-Clássica.

O que pode existir ali dentro de interesse?

Nos tempos do império era simples casa da guarda, como hoje são as inúmeras e horrendas portarias de edifícios que se querem importantes.

No tempo do Horror foi armazém, com a poeira a suavizar as esquinas.

Só que a arquitectura, digna desse nome, existe independentemente de tudo: da função, do tempo, da economia, do poder.

Ultrapassa tudo para se tornar numa outra coisa qualquer.

 

Agora é só mesmo espaço, monumento, memória.

 

DSC04694Nada mais. Mais nada parece ser necessário.

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Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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