JE SUIS 50 (*)

 

Desta vez, é horrível isto, dizer desta vez, mais ou vez ou qualquer outra expressão parecida, não houve JE SUIS… Esperar-se-ia que as redes sociais estivessem cheias de JE SUIS ORLANDO, mas – estranhe-se – não.

Não sei se pelo facto de estarmos – JÁ – habituados à barbárie, à selvajaria e ao horror…

Não sei se pelo facto dos 50 (CINQUENTA) mortos estarem num bar/discoteca gay…

Mas, o facto é que a coisa passou (mais) desapercebida.

Eu, cá, acho verdadeiramente vergonhoso que um caramelo qualquer tenha acesso legalmente a uma arma de guerra (vejam bem que não disse de caça ou nem de defesa pessoal, mas de guerra) e mate 50 (CINQUENTA) pessoas, 50 (CINQUENTA) seres humanos. Estou-me marimbando para qual é ou era a opção sexual dos mortos, não consigo é entender como é que alguém mata 50 (CINQUENTA) pessoas de uma vez; aliás, mata 50 (CINQUENTA) pessoas uma a uma. Evidentemente que se houvesse só um morto o problema era exactamente o mesmo, mas o número não me sai da cabeça: 50 (CINQUENTA).

(c) Honigod, 2016.

(c) Honigod, 2016.

A malta saiu de casa para ir beber um copo, para namorar, para o engate, para ver a banda passar ou seja lá o que foi que foram fazer à rua, e cada um deles, dos 50 (CINQUENTA), foi morto, assassinado vilmente por um louco que teve acesso LEGAL a uma arma de guerra.

Estou fora de mim, estou revoltado. É por isso que:

JE SUIS TRISTE!

JE SUIS ORLANDO!

JE SUIS 50!

JE SUIS 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1 + 1 + 1 +1 + 1 + 1!, porque todos os 50 (CINQUENTA) eram pessoas, importam e devem ser recordados.

 

(*) Aos 50 (CINQUENTA) assassinados ontem em Orlando.

 

Sobre Guilherme Godinho

Cuanto mas bonito es el campo, mas me gusta el mar; e a cidade.
O preto e o branco dão-me a nostalgia da melancolia.
Esta, como tantas bipolaridades clínicas, faz parte dos meus desassossegos.
Se escrever é triste, fotografar pode ser depressivo.

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13 respostas a JE SUIS 50 (*)

  1. Paula Santos diz:

    Obrigada. Vou levar para o meu fb. E obrigada mais uma vez.

  2. O que é terrível, Guilherme, é que, de golpe em golpe, vamos acabar por nos habituar, secando a compaixão , perdendo capacidade de reacção. Não creio – quero acreditar nisso – que haja ausência de dor pelos 50 mortos de Orlando, ou que haja menos dor por o alvo ser uma discoteca gay. Não quero, nem posso acreditar que por o alvo ser americano, haja, mesmo nos anti-americanos crónicos, menos piedade e empatia.

  3. albertino.ferreira diz:

    Toda a solidariedade para com as famílias das vítimas. Só me espanta o tempo que os SWAT demoraram para intervir (horas) para acabar com a carnificina. Era apenas um louco, que raio…A discoteca não tinha seguranças armados que pudessem intervir? Ficam imensas dúvidas para esclarecer. Ele anunciou previamente o que ia fazer e ninguém fez nada? Um tipo que estava fichado no FBI? Os lobos solitários andam aí e irão intervir para desviar as atenções das derrotas que o DAESH sofre na Líbia e Iraque. Veja-se o que aconteceu em França nas Yvelines 2ª feira á noite…

    • Guilherme Godinho diz:

      Albertino, muito obrigado pelo seu comentário. Há tanta coisa por responder de facto… Não se percebe muita coisa, percebem-se as evidencias apenas.

  4. «Não consigo é entender como é que alguém mata 50 (CINQUENTA) pessoas de uma vez; aliás, mata 50 (CINQUENTA) pessoas uma a uma.»

    O senhor não consegue mas eu consigo: porque ninguém dentro do Pulse estava armado e, logo, capaz de se defender a si e a outros… porque, precisamente, por sua vez, aquele clube era uma «gun free zone», facto devidamente conhecido e divulgado; era proibido aos clientes, «law abiding citizens», entrarem com armas… mas, como é óbvio, criminosos não são propriamente conhecidos por obedecerem a leis e a regras. Aliás, praticamente todos os grandes massacres ocorridos nos EUA nos últimos anos tiveram lugar em «gun free zones»… e não por acaso: os assassinos podem ser (e são) loucos mas não são estúpidos.

    E isto não acontece apenas do outro lado do Atlântico, evidentemente: os massacres ocorridos em Paris no ano passado e em Bruxelas neste ano foram possíveis também por as vítimas estarem indefesas. Na Europa e nos EUA, e a não ser que estejam em permanência junto de potenciais alvos (que, mais do que nunca, para terroristas muçulmanos, são grandes ajuntamentos de civis), os polícias, por mais rápidos que sejam, nunca chegam a tempo de evitar estas atrocidades. Uma esquadra em cada rua era o ideal, mas não é possível…

  5. Bernardo Vaz Pinto diz:

    “the horror, the horror”, perante os factos ficamos sem argumentos….

  6. godemal diz:

    Uma vida humana (ou 50) é, desde logo, algo de profundamente lamentável. Acresce a isso, algo que não é, de todo em todo, dispiciendo, o facto de este massacre ter tido por alvo pessoas com uma dada orientação sexual. Ora, este aspecto não tem sido devidamente realçado, nem na comunicação social nem, dado ainda mais estranho, nas redes sociais. Aqui fica o registo, quem quiser que tire as suas conclusões. Não há acasos, não há coincidências, distracções então nem se fala. E bruxas, haverá?…

  7. Guilherme Godinho diz:

    Godemal, “que las hay, las hay”.
    É tao verdade Bernardo!, mas a guerra civil das ideias vale a pena. O obscurantismo não pode ganhar.
    Paula, obrigado pela partilha.

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