As 30 magníficas de 2016

Não levem a mal o atraso. Andei sequestrado nestas primeiras semanas do ano. No cativeiro, só me permitiram um pequeno luxo. Podia levar comigo trinta canções. Que cumprissem as seguintes condições impostas pelos meus sequestradores: todas editadas em 2016, todas disponíveis no Spotify, todas de autores e intérpretes diferentes. Quanto ao mais, mandaria o meu gosto e o que ao meu ouvido conseguiu chegar. Assim que recuperasse a liberdade, deveria, a ordem foi clara, partilhá-las sem rodeios. Por mais que isso custasse a outros ouvidos, por menos representado que estivesse este ou aquele género musical, por mais pessoais que as escolhas fossem, deveria divulgar a lista imediatamente. Que me perdoem, pois, todos os excluídos que nela mereceriam estar. Que me perdoem Nick Cave, Bowie, Kanye West, Frank Ocean, Anohni, Alex Cameron e Angel Olsen, todos autores de álbuns que, não fosse a quota acima referida, teriam mais de uma canção na lista. Que me perdoe Beyoncé, cujo excelente Hold Up estaria de caras na lista, não fosse a rapariga e seu marido Jay Z terem aversão ao Spotify, enredado em guerras de concorrência com o seu Tidal. Uma saudação especial (sem favores ou quotas de espécie alguma, diga-se) para Branko, Capitão Fausto e Samuel Úria, os três portugueses da lista. Para quem a queira seguir pelo Spotify, basta que adiram à play-list “As 30 magníficas de 2016 by Diogo Leote”. Façam então o favor de disfrutar. E, para entrarem em beleza, comecem pela melhor canção do ano, If Rah, dos já veteranos Underworld (esta com direito a vídeo, a par da auto-excluída Hold Up, de Beyoncé).

  1. If Rah – Underworld
  2. Ultralight Beam – Kanye West
  3. Drunk Drivers/Killer Whales – Car Seat Headrest
  4. Distant Sky – Nick Cave & The Bad Seeds
  5. Daydreaming – Radiohead
  6. Blackstar – David Bowie
  7. A 1000 Times – Hamilton Leithauser + Rostam
  8. On Hold – The XX
  9. Reserva Pra Dois – Branko (com Mayra Andrade)
  10. Crisis – Anohni
  11. We The People – A Tribe Called Quest
  12. Happy Ending – Alex Cameron
  13. Shut Up Kiss Me – Angel Olsen
  14. Beautiful Strangers – Kevin Morby
  15. Let Me Get There – Hope Sandoval and the Warm Inventions (com Kurt Vile)
  16. Because of Me – The Avalanches
  17. Pink + White – Frank Ocean
  18. Cool Out – Matthew E. White (com Natalie Prass)
  19. Here In Spirit – Jim James
  20. NIV – Lambchop
  21. Cranes in The Sky – Solange
  22. Up to Anything – The Goon Sax
  23. Numbers – Daughter
  24. Theme for a Taiwanese Woman in Lime Green – Devendra Banhart
  25. Semana em Semana – Capitão Fausto
  26. Fool – Frankie Cosmos
  27. Happy – Mitski
  28. Ei-lo – Samuel Úria
  29. Bum Bum – Cass McCombs
  30. No Woman – Whitney

*Menção especial (for a do Spotify): Hold Up – Beyoncé

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.

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2 respostas a As 30 magníficas de 2016

  1. anaritaseabra diz:

    Diogo, obrigada pela lista! Nem imaginas o que eu gosto dessa música dos Avalanches!
    E aproveito para dizer que serei uma seguidora tua no Spotify 😉
    Bjs

  2. Diogo Leote diz:

    Muito obrigado, Ana Rita. Fico contente que tenhas gostado 🙂

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