António Lobo Antunes ou a literatura?

A Gala da SPA, Sociedade Portuguesa de Autores, devia ser – e foi, e é – uma festa dos autores e da literatura. A Gala deste ano teve um brinde extraordinário, uma dádiva dos deuses. Chamemos a esse deus António Lobo Antunes. Fez uma intervenção tocante, comovente, uma pequena pérola televisiva também. É tão bonito dizer que se pesa o livro de anatomia na balança da cozinha como dizer, com a voz que vem do coração, “eu nunca tinha visto uma mulher nua”, como fazer adeus na televisão ao Senhor Barata.

Na verdade, não foi António Lobo Antunes que foi à televisão, foi a literatura, com toda a sua emoção, que invadiu a televisão.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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7 respostas a António Lobo Antunes ou a literatura?

  1. EV diz:

    Eu vi! No dia. E a voz? Gosto tanto, é delicada.

  2. Isolina Carvalho diz:

    Acho que ser triste por toda a vida, é mesmo uma coisa triste, muito triste… Nem os loucos são sempre assim, aliás, eu que já trabalhei com loucos, não me lembro de os ver muitas vezes tristes. Nem os vi muitas vezes alegres, mas sim num estado situado talvez, entre a apatia e o vazio de existir. Uma coisa é certa, muitos deles procuravam o carinho humano, como crianças perdidas…
    Mas reconheço que estar triste de vez em quando, também é de certa maneira, uma doce estratégia para o recolhimento, um pretexto para ouvirmos a suave música do silêncio, quando dentro de nós o mundo parece desabar e então, escrevemos e sofremos simultaneamente. Aí sim, concordo que «escrever é sofrer».

    • E tudo isto, Isolda, “enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza.” (Carlos Drummond de Andrade, poeta e prosador, explicando porque é que escrever é triste.)

  3. Bea diz:

    Permito-me discordar pois eu acho que foi mesmo António Lobo Antunes que foi à televisão. Acompanhado da literatura que faz, sim; que, nele, vida e escrita entrançam uma na outra. E o dito é tão ele como uma crónica na revista.

  4. Permita-se discordar completamente, Bea, muito embora, lendo-nos, eu não veja o que possa haver de discordância.

  5. Paula Santos diz:

    Tocante, comovente e muito bonito. Apeteceu-me abraçá-lo. E que sorte a do Sr. Barata. 😉

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