Chuck duck walk Berry

O que seria a vida sem heróis? Comovem-nos, convocam-nos, inspiram-nos, amparam-nos, riem-nos, choram-nos, viram-nos de um avesso que não sonhávamos ter. Eu tive a sorte de ter muitos. O maior de todos era o meu avô e não me canso de ressuscita-lo.  Um escritor sem caneta, um realizador sem película. O caçador mais docemente mentiroso que povoou a minha meninice.

Mas tive e tenho muitos mais. A lista, longa e fastidiosa, só a mim interessa porque só eu sei que sou feito deles. Mas hoje confesso-vos o Chuck.  Não tanto, devo dize-lo, porque tenha ensaiado, escondido, eu e o meu espelho, aquele número do duck walk. Vontade não me faltou e um dia destes talvez me encha de lata. Mas confesso-vos Chuck, dizia, porque foi com ele que aprendi que até os heróis precisam de heróis.

B Goode. E dá lá um abraço a quem sabes.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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7 respostas a Chuck duck walk Berry

  1. albertino.ferreira diz:

    Um génio que nos deixou 4 ou 5 músicas entre as 500 maiores de todos os tempos segundo a Rolling Stone Magazine, merece o panteão dos imortais. Aconselharia a leitura do artigo do Le Monde :”Nous sortons tous de la cuisse de Chuck Berry”.

  2. albertino.ferreira diz:

    Errata: O artigo não é do Le Monde mas do L’OBS (Nouvel Observateur)

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Não é para me gabar, mas faço um duck walk em grande estilo. Desafio o Pedro Norton, no Politeama, na televisão, no La Chunga, onde ele quiser, para um concurso.

  4. A Vieira diz:

    O compositor Ike Turner em coautoria com o saxofonista Jackie Branston, foi a primeira canção de rock & roll gravada em disco em 1951, a Rocket 88, inspirada no último modelo da Oldsmobile, o Rocket 88.
    Nessa época, a liberdade de andar por onde se quisesse e quando se quisesse proporcionada pelo automóvel, ainda não existia o politícamente correcto …..que polui os espiritos e corroi a liberdade.

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