Diários da Solidão (1)

Quando escrevo não consigo ouvir música. Também não consigo ler e ouvir música ao mesmo tempo.

Bem…depende.

Há vezes que tenho de ouvir música, por exemplo ao fim de um dia agarrado ao computador. Aí quero ouvir Yo La Tengo,  neste suave viajar por uma noite de verão que ainda não temos…

 

Naqueles dias que preciso de sentir uma companhia serena mas sofisticada, que está ali mas respeita eu só querer estar aqui, o remédio é Harold Budd….

Depois ainda há aqueles momentos em que já só quero ouvir música e esquecer a escrita, quero a primeira cerveja do dia , ou  gastar bem o que ainda resta de luz,  o céu rosa lá fora a tornar-se escuro….e oiço o Ray….

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência.

Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra.

Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data.

A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach.

De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro.
A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.

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13 respostas a Diários da Solidão (1)

  1. A Vieira diz:

    No seu caso, para deixar as mortificações da solidão , passe para o papel, grafismo quebra-cabeças do género M.C. Escher.

  2. Solidão, silêncio e sombras…

  3. albertino.ferreira diz:

    Um bom livro ou uma bela música não são para ler ou ouvir nos transportes públicos, (para fugir a este mundo de frivolidades) mas requerem paz, calma, contemplação e bem-estar, se possível acompanhados por um bom whisky ou gin e já agora um cohiba, porque não!?

    • nanovp diz:

      Excepto o cohiba ( nunca fumei, não sei bem porque não me atrai…) concordo : nada como ler ou ouvir acompanhado de um bom copo, mas algo protegido da azáfama do mundo lá fora…

  4. Maria Antonieta diz:

    Nunca um post de todos os que tenho aqui lido, me pareceu tão de acordo com o nome do blog, como este.E não foi propriamente a escrita, foram os temas musicais. Todos tão semelhantes…Não haverá espaço, nestes diários, para uma música alegre? Um ritmo que nos desperte a vontade de ensaiar uns passos de dança?
    Tanta solidão e melancolia…faz mal à alma. Digo eu…que até sou um ser solitário.

    • Maria Antonieta diz:

      Oh meu Deus…voltei só para dizer que os temas são muito belos e relaxantes…Sorry.

      • nanovp diz:

        Mas volte sempre…e não há “sorrys” para ninguém aqui…ainda bem que deu para relaxar…Recomendo o Harold nas peças maiores para trabalhar e deixar um murmúrio lá atrás que nos faz companhia…

    • nanovp diz:

      Pois temos de ver se um próximo post não a consegue fazer sair da cadeira e ensaiar os tais passos de dança…

  5. ana marchand diz:

    andante e …drinking songs!

  6. nanovp diz:

    É isso mesmo : andante moderado e um belo copo de vinho…

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