Tom Zé: para rir é preciso chorar

Quantas vidas tem Tom Zé? Vamos lá, Tom Zé já tinha vida quando a família, moradora em Irará, na Baía, ganhou um qualquer Euromilhões brasileiro. Foi logo outra vida. A terceira foi a descoberta do violão e da música. Nos anos 60, saído da escola de música, impressentido intelectual escondido num físico débil, Tom Zé foi uma figura de proa do tropicalismo, ombro com ombro com Caetano, Gil e essa tal Gal ou também Betânia.

Fosse por ser quem é, flor que de vez em quando não se cheire, apagaram-no da história e não sei em quantas vidas já vamos.  Chamaram-lhe o Trotsky do tropicalismo, mas como ninguém lhe deu com a picareta, David Byrne ressuscitou-o, muitos anos depois, já Tom Zé ia nuns cadavéricos 50 anos. Levou-o ou à música dele para Nova Iorque. E deu outra vida a Tom Zé: em 1998, o New York Times elegeu o álbum dele dese ano como um dos dez melhores do ano.

Mas eu só queria que ouvissem a delícia que é Se o Caso é Chorar prodigiosa canção sentimental e totalmente assentimental.

E queria ainda mais que ouvissem esse maravilhoso exercício de desconstrução, feito com esses duros materiais que são a inteligência e a ironia. Ouçam e considerem que são as minhas amêndoas da Páscoa.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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5 respostas a Tom Zé: para rir é preciso chorar

  1. EV diz:

    O que eu gostei… Nem me lembrava que tinha saudades do Tom Zé! Obrigada pelas amêndoas Manuel Fonseca.

  2. Maria Antonieta diz:

    Vim buscar o meu pacote de amêndoas e fiquei surpreendida por não conhecer o Tom Zé.
    E pensava eu conhecer todos os percursores do tropicalismo….Ele há coisas!!
    Obrigada.

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