Arquivos Mensais: Junho 2017

Gallo rojo

Quem me dera ter o segredo da rútila e trémula escrita para poder escrever o óbvio. E basta, afinal, ouvir. Silvia Pérez Cruz canta o desencanto, o puro e abraçado desencanto. Talvez só sonhemos adolescentes para depois gritarmos mil ais … Continuar a ler

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O coração do povo

Liz Taylor esteve às portas da morte. Redimiu assim a má fama que ganhara por ter sacado o marido à virginal Debbie Reynolds. Não se rouba o marido a uma escoteira, muito menos um mês depois de se ter enterrado, … Continuar a ler

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Então?

Foto EV Douro Junho 2017 – O que vês nesta imagem? – Na fotografia? – Sim. – Queres que te responda por alguma ordem? – Não. Diz-me só o que vês nesta foto. – Mas … não podia ser outra? … Continuar a ler

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estás a olhar o quê? nunca viste?

    Estava a olhar para o cinema e para a literatura e o cinema e a literatura a olharem para mim já meios virados, como as miúdas da Vila Alice, em Luanda, quando eu era miúdo – “o que … Continuar a ler

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os longos dias

entre orbitas vadias  e noites claras. equador , deserto , calor facho,faisca, fogo.   selando o luto no punho, os longos dias do final de junho       (imagem by Alamy-24h. de sol em Dedhorse , Alaska onde o … Continuar a ler

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Queres que te faça o desenho?

  Foi há 25 anos e meio. Para o Expresso, e por haver uma espécie de ciclo (ou só porque se exibia Things to Come), escrevi sobre William Cameron Menzies. Há gente que se excede numa profissão. Menzies excedeu a … Continuar a ler

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O Eça, o Kroyer, o Hammershöi e eu na linha do Douro

Lá estava eu, com um poema a fazer-me versos na cabeça, a olhar pela janela do comboio, não posso escrever senão enjoo, vou ter de refazer isto tudo, como? ah cabrão, é dos grandes! a ver Resende, e vá de … Continuar a ler

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Cleópatra

O ciclo menstrual de Elizabeth Taylor é que teve a culpa. Vejamos, Walter Wanger só queria a glória. Saíra da prisão por ter dado uns tiros bem aviados, mas não mortais, ao amante de Joan Bennett que, não fortuitamente, era … Continuar a ler

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Pula e avança

  Cada vez que o Homem sonha o mundo pula e avança. É um clássico. Já a ouvimos tantas vezes que menosprezamo-la. Parece até démodé. Mas não é. É poesia. E tornou-se, prefiro antes chamar-lhe, um clássico do Antonio Gedeão … Continuar a ler

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O sentido da vida

o sentido da vida Talvez não sejamos, afinal, muito diferentes do resto da criação. Antes de ontem, no caminho entalado à direita por um carreiro de agapantos brancos e roxos, inclinados como só eles – eta flor cheia de vénias! … Continuar a ler

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O fogo

    Nada nos prepara para a tragédia, para a horrível morte, que o fogo – sempre sobrenatural, inclemente e imparável – causa. Não há consolo para a indiferente fúria com que tudo consome. Podemos apenas lembrar que o cantou o … Continuar a ler

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je suis un autre 2

Saí cedo. Gosto das manhãs frescas, da luz quebrada, do silêncio em redor Cheguei na maré baixa quando a água desce e o pântano fica quase raso. Olhei em redor. Descalcei as sandálias. Mergulhei os pés e as mãos na … Continuar a ler

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Quando o Céu desce à Terra

 

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Genéricos, titles, credits – por onde começam os filmes

Devia falar-se mais dos genéricos dos filmes, aqueles dois minutos com o título, os nomes dos actores e dos autores, quase sempre essa primeira coisa que aparece quando as luzes da sala se apagam. Alguns, no passado não muito distante, … Continuar a ler

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A arte nem pode, nem antipode

A fúria com que, em “Red River”, Montgomery Clift e John Wayne esmurram as ventas um do outro não é de esquerda nem de direita. Os murros deles não são políticos. Nem é político o rabo de Marilyn Monroe, que … Continuar a ler

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