Gallo rojo

Quem me dera ter o segredo da rútila e trémula escrita para poder escrever o óbvio. E basta, afinal, ouvir. Silvia Pérez Cruz canta o desencanto, o puro e abraçado desencanto. Talvez só sonhemos adolescentes para depois gritarmos mil ais adultos.

Em cada ai da belíssima boca de Silvia há a cega nostalgia da inalcançável harmonia, da valente revolução perdida, da utopia atacada, da ideal cidade dos homens perfeita como nem a de Deus. E depois canta el gallo. Gallo Negro. E acaba o dia.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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