O meu mundo num fio de arco-íris

 

Ora isto para título piroso não está nada mal. Deu-me para a lamechice e já não vou emendar. Isto dos aniversários deve accionar um botão qualquer aqui dentro e fico assim a derreter-me em cores como um bolo de aniversário à espera.

Aniversário de trabalho: 10 aninhos a fazer um programa de tv tu cá tu lá, a acumular com 25 anos de tv, eu que gosto é de bastidores. Calhou-me a fava, mordi, e agora é esta desgraça de dentadura.

E é hoje, hoje mesmo, macacos me mordam, que vou lançar ao mundo este caderno de férias colorido.

É hoje, quarta 5 Julho, às 18h30, vai ser areia por todo o lado no Picoas Plaza de Lisboa

Porque um dia me aconteceu isto que conto no filminho aqui abaixo.

E ninguém venha dizer-me que o arco das cores é uma ilusão de óptica. É óbvio que nasce do rasto que a deusa Íris deixa no céu como formiguinha mensageira. Deixou pistas e mensagens a vários anónimos. Chegou a Keats, ateou William Wordsworth (My heart leaps up when I behold/A rainbow in the sky) e em 1939 contagiou Yip Harburg, que calçou sapatinhos vermelhos para escrever

Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dreamed of
Once in a lullaby

Depois Harold Arlen musicou e a canção, qual feiticeira de Oz, chegou aos prémios da Academia e nunca mais saiu de moda.

Foi também Harold Arlen que compôs a música para a letra de Ted Koeler, que Louis Armstrong interpretou em 1933 (tal como Bing Crosby, no mesmo ano), antes de o Cotton Club fechar em 1936. Os anos da Grande Depressão precisavam de canções assim.

I’ve got the world on a string
I’m sitting on a rainbow
Got that string around my finger
What a world, what a life; I’m in love

E eu não me lembrei de nada disto quando encontrei esta música. Mas foi como quando me aconteceu este arco que aqui está. Também este som veio ter comigo, um fio por aí fora e tudo bateu certo, como naquela tarde de chuva e sol. (E as bruxas a fazer pão mole).

 

O booktrailer é de Pedro Cascais, sobre fotografias minhas. O trompete é de Louis Armstrong de 1933. E é a voz dele que faz o 1,2…o 3 fica pendurado e aí vai o foguete de papel.

Sobre Teresa Conceição

Ainda estou a aprender esta terra de hieróglifos. Tenho na mala livros e remoinhos, mapas e cavalos guerreiros, lupas e lápis de cor: lentos decifradores. Sou nativa de Vadiar, terra-a-terra. Escrever? Ainda não descobri onde fica. Mas parto com bússola e farnel (desconfio que levo excesso de bagagem).
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5 respostas a O meu mundo num fio de arco-íris

  1. albertino.ferreira diz:

    Gosto e admiro os seus programas; já agora uma sugestão: depois do Algarve, porque não um outro livrinho sobre a Beira Alta e o Douro?

    • Obrigada por tanta gentileza, Albertino.
      A verdade é que todas as regiões de Portugal merecem destaque demorado. Temos um país rico e pouco cantado. Mas não me parece que vá ser eu a fazê-lo.

  2. EV diz:

    Parabéns menina!

    • Querida Eugénia, muito obrigada!
      Mas aqui entre nós, isto não é um livro, apesar de ter esse formato. É um caderninho com umas notas e imagens feitas por mim. Deu muito trabalho, mas nem isso lhe eleva muito a categoria. Gosto dele, mas uma pessoa gosta de uma criatura sua, mesmo cheia de defeitos, não é?

  3. Sílvia diz:

    E de repente parece que o que foi sentido faz sentido, como se nunca antes tivesse assim sido entendido. Uma gaivota, esta brisa, esta brisa, este agora. Parabéns 😘

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