Afinal, o que querem os homens?

AFINAL, O QUE QUEREM OS HOMEMS?

Os quinze anos de tosse e afonia de Ida Bauer
mal geridos por Freud,
quem não gostaria, oh tanto, das atenções
impróprias do amigo do pai, Herr K., note-se,
também marido da amante de Herr B., o pai,
fizeram-no depois perguntar:
afinal, o que querem as mulheres?
Um homem quer mamas, cu, pernas,
não necessariamente por esta ordem
já que cada um tem a sua própria
combinação de acesso: sem desejo
não há amor que se sustente
ainda que o… chamemos-lhe desejo,
se mantenha de pé sem amor,
mas isso são questões para Herr K. e Herr B.
discutirem com Herr Freud.
E logo seguir, e por esta ordem,
o que quer um homem?
Um palmo de cara, personalidade agradável
e maternal, caracter, sim, mas só se for pouco,
as virtudes tendem a ser um estorvo na cama
ainda que possam dar jeito in times of trouble –
se um tipo for preso, ou Deus nos livre.
Com isto, no tempo, se constrói uma mulher, uma amante,
um qualquer objecto feminino útil.
Thanks, but no thanks.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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8 respostas a Afinal, o que querem os homens?

  1. riVta diz:

    Herr und Frau eine Kommunikationsschwierigkeit

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    Diria que os homens querem isto e querem o seu contrário. E, sobretudo, querem tudo, que é a melhor forma de se disfarçar que não se quer nada.
    Também se poderia perguntar: quais homens? Mas isso já seria uma forma dialéctica de não ir a jogo.
    O seu poema, menina Eugénia, é bom, no seu sensacionismo pessoano (sensação, sugestão construção). É bom e já se sabe que um poema bom tanto se lhe dá como se lhe deu que seja justo. A justiça é uma coisa dos homens, a bondade é uma coisa dos deuses (neste caso, da deusa).

    • EV diz:

      Obrigada, Manuel Fonseca, um poema bom é um domingo bom. Agora.

      Um homem ocidental quer isto e, preferencialmente, dentro da sua paisagem social. Não vejo nada de pejorativo/injusto neste poema/desejo, é-se o que se é e quer-se o que se quer. As insatisfações filosóficas e a dialéctica só acontecem se esta necessidade básica e bíblica, “não é bom que o homem esteja só”, estiver satisfeita. E isto até simplifica bastante a vida das mulheres que querem Herr K., Herr B. ou Herr Freud…

  3. Creatur diz:

    arigatou…menina, senhora ou…MULHER

  4. Bea diz:

    A menina Eugénia virada para a psicanálise do desejo masculino…esta eu não esperava. Mas pronto, ao menos deu a solução para a fuga do amor na velhice; como é que disse, “sem desejo não há amor”. Ora bem.

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