Como é que lhe digo “obrigada, Pedro”?

Morreu Pedro Rolo Duarte e eu tenho tanta pena – é triste. São só cinquenta e três anos e uma vida cheia ainda para viver. E tenho pena porque não lhe pude dizer olá, nem obrigada, nem dar-lhe um abraço – bem sei, não faço questão alguma de conhecer quem quer que seja, e até fujo só para que não me encolham no olá como está, porém isso, desta vez, com Pedro Rolo Duarte não aconteceria. Era generoso.

Não sabia quem eu era. Nem de onde nem como. Até poderia ser uma bruxa do caneco. Assim mesmo ele foi generoso comigo. Fez questão de dizer de uma estranha, e a uma estranha, que a lia e gostava. Isto, para quem não o saiba, ilumina muitos escuros, torna suportáveis muitos nãos que isto das letras tem que se lhe diga fora do alfabeto… é árido.

Vi Pedro Rolo Duarte fazer muita coisa ao longo da sua vida profissional, receber muita gente nos seus programas, afável, fácil, curioso – o nosso Manuel Fonseca esteve também no último programa de televisão que apresentou com Joana Stichini Vilela, e desta vez, quando entrou Hotel Babilónia, já não o viu… – sempre com o mesmo espírito: há pessoas assim, trazem a luz para onde acham que ela deve estar para iluminar o trabalho dos outros.

Obrigada.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.

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6 respostas a Como é que lhe digo “obrigada, Pedro”?

  1. Fatima MP diz:

    Triste, injusto, tão sem sentido. Tão óbvio de que “com a realidade não devemos ter mal entendidos”.

  2. llopes49 diz:

    Que descanse em Paz. Respeito.

  3. Nano diz:

    Vai fazer falta ….

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