Em Memória de um Novo Amigo

 

Conheci  mal o Pedro Rolo Duarte. E conheci-o apenas há um par de anos.

Vejo-o e lembro-o como um novo amigo.

Nunca fui a casa dele mas acho que chegou a vir cá a casa. Encontrámo-nos, como sempre se encontram os amigos, por acaso. Em casa de amigos comuns.

Não precisamos de ser amigos há muito tempo para sentir o enorme peso do desaparecimento.  Até porque a morte não é só o desaparecimento de alguém mas também a dor de quem fica ainda.

Grande Pedro, lembrando as noites de concursos  “musicais” deixo aqui um “farewell ” …a ver se adivinhas…

   

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência.

Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra.

Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data.

A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach.

De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro.
A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.

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