Quatro mulheres que choram

Choram. São quatro mulheres. Não sabemos o que choram, mas sabemos que choram ali por volta de 1878. Podemos talvez presumir que choram a morte. Cabelos, pose, estatura parecem indicar que são de gerações muito próximas, irmãs, primas quem sabe, ou só amigas. Choram talvez a mãe, o pai.

Chorava-se assim no século XIX. Hoje, podemos chorar as mesmas lágrimas – água e cloreto de sódio, como cantou o poeta – mas não choramos já com esta coreografia tão composta, com esta nobre expressão pública do sofrimento, com estes lenços de linho, que a mão de mãe, a mão agora morta, bordou.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

2 respostas a Quatro mulheres que choram

  1. Maria Antonieta diz:

    Já não se chora como antigamente, é o que é! 🙂

  2. Creatur diz:

    hoje são lágrmas menos liquidas…àgua do FACE_LOOK

SEJA TRISTE, COMENTE