Songs of a Lost Time

Título : Words

Autor : Neil young.

Álbum:  Harvest, de 1972.

Quem diria,  foi o álbum mais vendido nesse ano.

É o último tema do álbum, com um sub-titulo interessante : between the lines of age…

cada  um  tire os significados que quiser…

Gosto da forma como começa. Um acorde que fica, e logo um piano na batida da bateria.

Depois os trabalhos das guitarras, onde as notas que não se tocam, os silêncios, contam tanto como as notas que soam.

A voz de Neil Young entra com a “slide guitar” de Ben Keith, e com a mudança de ritmo que marca de forma subtil o tema.

O refrão que se enche com as vozes dos antigos companheiros  Graham Nash e Stephen Stills:

“When I look through he window and out on the road

They are bringing me presents and saying hallo

Saying words….words….between the lines of age. “

E é logo no seguimento do primeiro refrão que começa despercebidamente o passeio da guitarra , o enorme passeio da guitarra de Neil, que se transforma pouco a pouco em solo, subindo de tom, até atingir um choro agudo (3.45…)

Algo de triste, melancólico, ou simplesmente a musica que fica deixando o tempo passar.

 

 

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência.

Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra.

Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data.

A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach.

De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro.
A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.

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2 respostas a Songs of a Lost Time

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Nem imaginas o que este álbum se me colou à farda na recruta da Escola de Aplicação Militar, no Huambo, em Angola. E o “A Man Needs a Maid”? E o “The Needle and The Damage Done”? Somos uns “Hearts of Gold” é o que é, Bernardo:

  2. Bernardo diz:

    Isso é que era globalização Manuel…o Young de 72 a chegar a Luanda….E é impressionante pensar que foi álbum do ano…

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