O Amigo

O amigo é uma figuraça na vida de uma pessoa. Uma figurona. Na verdade, é uma figura indispensável.

O meu forte não são as comédias românticas. When Harry Met Sally é, talvez, uma das melhores das minhas excepções. E não é pelo fecho do filme. É o raio do amigo. Aquele homem com quem se pode ser o que se é, se vai ao cinema, aquele que até se apresenta a uma boa amiga solteira porque o achamos um belo partido. A pessoa com quem falamos para dizer o que até temos medo de pensar, ou coisa nenhuma e patetices e urgências urgentíssimas só porque sim. Só porque sim é o melhor que há na vida. Em tudo. Tudo quanto é importante é porque sim. A vocação, essa voz que chama e obriga a resposta e devolve a obrigação em prazer. O amor – ama-se porque sim, são lá precisas explicações? Preferir o salgado ao doce. Porquê? Porque sim.

Bem sei, a utopia amorosa, rouba-nos. Não é por mal, são ciúmes. Para quê essa enorme figura do amigo se há o marido? Ou a mulher. Não chegam? Talvez. Ou talvez não. Se calhar é porque um amigo pode durar uma vida inteira e um casamento não. Eu gostava de ter um Harry. Só porque sim.

Sobre Eugénia de Vasconcellos

Escrever também é esta dor amantíssima: os lábios encostados à boca do silêncio, auscultando, e nada, esperando dele a luz que beije. É assim, pelas palavras se morre, pelas palavras se vive.
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6 respostas a O Amigo

  1. Bea diz:

    Na verdade estas comédias levezinhas atiram um bocadinho para o palerma. Mas como gosto de Meg Ryan, até a vi. E ri-me. E fiquei bem disposta (já não me lembro do final). E depois esqueci-a logo porque na verdade Meg Ryan não é aquela actriz formidável. É uma menina com um cabelo formidável, mais ou menos esguedelhada e com quem passamos umas horas agradáveis (eu, eu). Do actor gosto menos, mas está bem no papel; se bem que o prefiro a fazer de psiquiatra do bom malandro que é de Niro. E pronto. Que vivam em paz onde quer que estejam.

  2. carlos diz:

    Quem não gosta…?!

  3. EV diz:

    Gosto tanto deste malvado!

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