Aquivos por Autor: Diogo Leote

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.

Bowie and Friends´ Dream

Na noite de 20 de Maio de 2017, tive um sonho. Sonhei que Bowie, o meu herói de todos os tempos, descera à Terra e tomara conta do meu corpo, numa forma a meio caminho entre o Ziggy Stardust e … Continuar a ler

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As duas únicas canções do mundo

Há canções assim. Basta ouvi-las uma vez e sabemos que está ali uma grande, uma enorme canção. Ficam logo entranhadas em nós, a tal ponto que nada mais ouvimos, como se não houvesse mais nenhuma canção no mundo para ser … Continuar a ler

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We will always have Miami

O Zé, com uma generosidade sem limites, meteu-se na maior empreitada de sempre. Resolveu dar graças aos cinquenta anos da sua vida cheia organizando uma visita à eternidade. Para o acompanhar, convidou os amigos. Amigos de sangue e de pele, … Continuar a ler

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Me and Earl and the Dying Girl

Isto de estar a ficar velho não é necessariamente uma má notícia. Não o é certamente, quando essa sensação de envelhecimento resulta do facto de um gajo, ainda que com evidentes sintomas de Peter Pan, perceber que, finalmente, anda a … Continuar a ler

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E assim se faz uma tarde

Pois é, a chuva e o frio não convidam a meter o pé fora de casa. Há o Almada para ver? Bem sei. Mas as filas à porta da Gulbenkian aconselham outro dia. E o Amadeo? Está visto e bem … Continuar a ler

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As 30 magníficas de 2016

Não levem a mal o atraso. Andei sequestrado nestas primeiras semanas do ano. No cativeiro, só me permitiram um pequeno luxo. Podia levar comigo trinta canções. Que cumprissem as seguintes condições impostas pelos meus sequestradores: todas editadas em 2016, todas … Continuar a ler

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Fui à missa no dia em que o Elefante Branco fechou

Fui à missa no domingo passado. Com outros companheiros de escrita, como os próprios já aqui relataram. O móbil seria o de assistir à homília da Capela do Rato do padre poeta, filósofo, ensaísta, cronista, um padre como há muito … Continuar a ler

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Café Society

Ontem ganhei o dia por causa de um filme. Um dia, não, terei talvez ganho anos à conta de um filme. Talvez tantos quantos os que me separavam da idade da gargalhada rouca e envelhecida que, na escuridão da fila … Continuar a ler

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Skeleton Tree

  Nothing really matters, nothing really matters when The one you love is gone You´re still in me, baby I need you In my heart, I need you A morte é assim mesmo. Traz com ela a dor, a perda, … Continuar a ler

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De Lavoisier a Anohni passando por Antony

“Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Há quem diga que, quando Lavoisier o disse, já estaria a pensar no estado da criação musical no séc. XXI. Isto porque é uma evidência, vinda de duas ou três décadas … Continuar a ler

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Uma luz na caverna de Thom Yorke

A relação já vai longa. Começou, se bem me lembro, na primeira parte de um concerto dos James no Pavilhão do Belenenses, corria o ano de 1993, numa altura em que o único cartão-de-visita era um Creep gritado a plenos … Continuar a ler

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Eu também tive uma Val

Para a Bé Eu também tive uma Val. E não tenho vergonha de o dizer. Não, a minha Val não vivia – o pudor, aqui sim, impede-me de usar a palavra “servia” em vez de “vivia” – numa casa com … Continuar a ler

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A trip de Finestra

  Na minha infância dos anos 70, se pedissem às minhas curtas vistas de então um desejo, eu saberia bem o que responder: queria ver no preto e branco da televisão (era assim mesmo, a preto e branco, naqueles tempos), … Continuar a ler

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O que a Kate Moss faz a um homem

Acreditem em mim. Eu sei o que a Kate Moss pode fazer a um homem. Com os meus olhos que não me deixam mentir, testemunhei o efeito devastador que provocou em Pete Doherty. Para aqueles que só o conhecem pela … Continuar a ler

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A menina é que me fazia feliz

Sou um coleccionador de declarações de amor. Escritas, filmadas ou cantadas, com mais ou menos palavreado ou expressão corporal, em trajes menores ou de gala, dentro ou fora de lençóis, em tom épico, metafórico ou figurado, arrebatadoras, solenes, platónicas ou … Continuar a ler

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