Aquivos por Autor: Vasco Grilo

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.

Confutatis Maledictis

Ao meu lado, dois pares de jovens olhos aguentaram estóicos a prova. Não sabiam bem ao que iam é verdade. Enganei-os. Mas fiz bem. Direi que no princípio da noite seguiram a infância de António Salieri com alguma curiosidade, o … Continuar a ler

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Lost Words

Isto que lêm são palavras tiradas a ferros. Escritas e reescritas vezes sem conta. Não há maneira. Estou bloqueado. Nem é isso desculpem. Bloqueados ficam os escritores. Estou simplesmente avesso a esta coisa da escrita. E depois há também esse … Continuar a ler

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Diário de bordo

30 de Julho 2004 Um, Sexta-feira. Milão. Aeroporto de Malpensa. Um lounge cheio de executivos de fato e gravata e agendas carregadas a beber sumos de ananás. Por mim bebia um vodka laranja. Breakfast for champions. Mas vamos com calma. … Continuar a ler

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Remember

Gostei. É uma história bem contada. Todinha do princípio ao fim. Sem tempos mortos. Com muitas outras pequenas histórias lá dentro. Sim por vezes um pouco inconsequente. Mas é apertadinha nos meios. Compacta no ritmo.  E depois tem também um Christopher Plummer trémulo mas clinicamente … Continuar a ler

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Scary Monsters

    É já a segunda vez que trago este texto ao Escrever é Triste. Não resisti depois do meu Pierrot, que imaginava eterno, ter ontem desaparecido lá para cima, para o grande circo que o esperava no céu. Warning: … Continuar a ler

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Marotices

É irresistível. São marotices. Marotices que se materializam em forma de couves e de ouriços e de ovos estrelados e de tudo aquilo que de maroto nada têm. Marotices que podiam ter sido desenhadas num tampo de carteira de um … Continuar a ler

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Shooting the shooting

São três homens diferentes uns dos outros. Muito diferentes. O primeiro, para quem a câmara escura é um lugar ensombrado, é um homem discreto e sábio que na firmeza do disparo procura sempre a verdade e nisso é quase a antítese do segundo. O … Continuar a ler

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PDQ Bach (1807-1742?)

P.D.Q. Bach foi o vigésimo primeiro dos vinte filhos de J.S. Bach. Nasceu em Leipzig em 1742 e diz-se que o seu primeiro instrumento foi uma serra musical. No final da sua adolescência transferiu-se para São Petersburgo para casa de … Continuar a ler

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Mek’ele Smiles

Tremem-me as mãos. E o coração também. Sobre a mesa operatória o frágil corpo de Yekune fita-me com uns olhos fechados a fita-cola. A sua boca, adormecida a Propofol, observa-me também, escancarada numa abertura de inocência. Tubagens plásticas que lhe entram … Continuar a ler

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Love Goes to Buildings on Fire

Nova Iorque. Início dos anos 70. A cidade está à beira da banca rota. A criminalidade completamente fora de controle. O desemprego a níveis altíssimos, o consumo de heroína a expandir-se como um vírus pela classe média e o LSD, … Continuar a ler

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Stoned in São Paulo

São Paulo, 1o de Julho 2004 No início é só uma ligeira pontada que me incomoda enquanto me sirvo de mais um café. Aqui, á altura dos ovários, se eu os tivesse, se fosse mulher. Em poucos segundos começo a dobrar-me para … Continuar a ler

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Metropolis reloaded

Arrastei-o. Sim. Confesso. Comprei os bilhetes às escondidas. Justifiquei a sua ausência no treino de rugby directamente com o treinador. Apresentei-lhe a coisa não como uma proposta interessante mas como um trabalho de casa de matemática. Tem de se fazer … Continuar a ler

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O primeiro Diário

Adão fala pouco. Sabe que não é esperto. Não percebe que a Eva isso não interessa. Que o que conta é o coração. Que o intelecto sem amor é coisa mísera. Ela bem que lhe oferece maçãs mas embora aparente satisfação, … Continuar a ler

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Of bare bones and bleeding hearts

-Mas o que é que te aconteceu para ficares nesse estado, foda-se? -O que queres que te diga? Olha, é tudo culpa de um par de olhos que se levantaram para mim de repente. Na praia. De uma toalha estendida … Continuar a ler

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(Short) Train to Katowice

    O nosso querido Manuel S. Fonseca disse-me uma vez a propósito desta short que o Holocausto é inficcionável. E que lhe causavam pavor todos os ameaços de o fazer. Que o que verdadeiramente consegue descreve o horror é o vazio … Continuar a ler

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