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Escrita automática

Pintas

    A pinta de um tipo não se tira pelos livros que lê. Tira-se, vejam lá o paradoxo, pela pinta com que os lê. Agora vou ali acabar o meu Robert Harris.

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Santos e Pecadores

    Foi Oscar Wilde que o disse. Mas podia ter sido Santo Agostinho. Eu, que com jeitinho ali vêem, sou simultaneamente reflexo de pecaminoso passado e desesperança de um santo futuro. Graças a Deus.

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A Criação

    Para o filho de camponeses que eu sou, confesso que a polissemia do termo me tem desgraçado. Há a Criação, essa obra visível e invisível do Ser Supremo, a que, com a autorização do probation officer que é Richard … Continuar a ler

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Silêncio

O silêncio é um lugar de palavras

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Sei que vou morrer

  Toda a gente sabe. Até um miúdo de 15 anos. Vamos supor que a mãe ou o pai lhe dizem isso, que vão morrer um dia destes. O miúdo ou a miúda, com um inflexão paternalista, logo dizem que sim, … Continuar a ler

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Ler

Agora que penso nisto, vejo que a independência, de pensar, de dizer, de fazer, enfim, de ser, vem muito mais de voltarmos as costas aos ganhos possíveis do que da liberdade das perdas que tivemos – acho que posso jurar … Continuar a ler

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Donald Trump

A razão pela qual não gosto de Donald Trump – em cuja propaganda eu vi, como o Pedro Norton aqui anunciou, a concretização, em parte, do que o romance de Philip Roth descrevera no Charles Lindbergh de The Plot Against … Continuar a ler

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A conta que Deus fez

  Ateu empedernido, levemente mata-frades, lá me atirei pela segunda vez à Bíblia. Escusam de tocar trombetas no céu. Não me estou a converter. Continuo é convencido que nunca hei de perceber nada de arte europeia sem conhecer bem os … Continuar a ler

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Aforismo Surrealista XIII

    Robert M. não tinha profissão conhecida. Não usava uniforme, não calçava botas envernizadas mas diz-se que também não aparava o bigode. Não era alto nem espadaúdo. Não era loiro e ninguém, na aldeia inteira, se queixava do seu mau hálito. Também … Continuar a ler

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Aforismo Surrealista XII

    Agostinho F. costumava passar na igreja todos os dias. À tardinha. Antes da missa das oito. Todos os dias a mesma pergunta. Há santos sem passado? A coisa atormentava-o. A dúvida, dilacerante, enchia-o de um roxo cardinalício. Há santos sem … Continuar a ler

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Aforismo Surrealista XI

    Alphonse D. era um guarda fato. Imponente, todo mogno, quatro pés dourados em forma de garras. Estilo Império. Há anos que guardava os uniformes, impecáveis, azuis, dourados, indolentes, snobérrimos, do Almirante. Dormia contra uma parede forrada de papel … Continuar a ler

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Aforismo Surrealista X

    Constantino era guardador de vacas. Certa manhã, fresca, de Abril, nasceu-lhe uma urtiga no ouvido direito. Compreensivelmente irritado, nunca mais dirigiu palavra ao gado vacum. Queimou o cajado, cortou o braço direito e dedicou-se a guardar sonhos. A autoridade … Continuar a ler

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Aforismo Surrealista IX

    Na Viena de Stefan H. existia uma casa. Ali a meio da Kanrtner Strasse, ao lado de um café literário cheio de bolos e chapéus de coco. Bom, existiam muitas casas. Mas esta tinha um bonito friso do … Continuar a ler

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Os gostos também se discutem

Tenho impressão que era o Pereira de Tabucchi que deixava obituários prontos no jornal antes de ir de férias. Mas Afirma Pereira é ficção. Hoje dei de frente com a realidade. É impressão minha ou há limites para o mau … Continuar a ler

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Difícil é saber a quantas ando…

    Eu, por mim, estou no dia 2 de janeiro de 2017. Mas isto, claro, é uma convenção porque na realidade estou no dia 4 do mês de Tevet de 5777, ou a 2 de janeiro de 6017, ou … Continuar a ler

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